É incrível! Tem gente que não se cansa de, todos os dias, fazer as mesmas brincadeiras que, por acaso, não tem graça nenhuma.
- Haha, que engraçado vocêêêêê. Imbecil! – sussurrei para mim mesma, em tom sarcástico, enquanto arrancava o bilhete que dizia: “emo sucks!” da porta do meu armário.
Bom, sabe o que é uma pessoa não conseguir entrar na escola, pegar suas coisas no armário, andar pelo corredor até chegar a sua sala, sem ser atingido por uma bolinha de papel jogada por um idiota que, em seguida, começa a te chamar de tudo de ruim que vem na cabeça, porque você não é igual a todos eles? Porque você não se veste igual? Por que você não é uma patricinha que não tem amigos verdadeiros, só quer saber coisas materiais, e ARGH! Que nojo, e ainda usam mini short, mini saia, mini blusa e tudo que há de mini, nem com sapatos com saltos imensos? E o mais importante, lógico: se esfregar loucamente nos garotos da escola e dar pra todos eles no fim. Ok, eu sou bem diferente disso, eu uso calça, camiseta e tênis. Tenho apenas um amigo. Sim, apenas UM. Aqui, na escola, eu tenho 2 amigas, mas são amigas pra conversar, zoar, rir, sair as vezes, sabe? Só! Mas não confio nelas o bastante pra me abrir assim, como com o Thiago, que é o meu melhor amigo, desde que eu nasci. Que nós nascemos. Ele é a única pessoa que eu faço tudo isso: sair, zoar, conversar, rir, e etc. E eu ainda confio nele, me abro com ele, assim como ele se abre pra mim, e confia em mim. Enfim, isso tudo, de ser descriminada, é uma grande merda! Mas a chave da tranqüilidade é ignorar, não? É, até a hora que alguns deles vêm pra cima de você, pra brigar, e sempre homens, porque as “patys” não vão quebrar seu salto com uma emo, como me chamam, não é? É, eu sou saco de pancadas aqui na escola, acredite. Após essa cena matinal, de agressões verbais e tudo mais, liguei meu Ipod e enfiei os fones no meu ouvido, para me poupar dos comentários inúteis a minha volta, e andei em direção a minha sala de aula. Fui parada uma sala antes da minha, com gritos.
- Carooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooool, minha linda. Bom dia! – era Arthur, um garoto um ano mais novo do que eu, que se diz perdidamente apaixonado por mim, desde a vez que a gente ficou, em uma festa, a 2, quase 3 anos atrás. Ele não significa absolutamente nada pra mim, e está ciente disso. Cara, foi só um beijo e uma festa, e eu nem estava consciente. Maldito álcool. Bom, foda-se ele.
- Bom dia, Arthur. – respondi friamente e segui pelo corredor, até a minha sala. Sempre com olhares estranhos sobre mim, andei até a última classe, a minha, ao lado da Larissa e atrás da Fernanda, aquelas minhas amigas que eu falei. Sentei-me, coloquei um fone de ouvido e comecei a fazer meus desenhos enquanto a aula passava.