Ta bom, mais uma suspensão pra minha coleção. Dane-se. Andei pelo corredor, em direção a minha sala, na qual a aula já havia começado. Entrei, notei olhares furiosos e divertidos me encarando, segui até a minha classe, arrumei minhas coisas e saí para o corredor, apertando o passo. Segui com a minha mochila nas costas até o portão da escola, por onde saí correndo, sem dar nenhuma explicação para os guardas. Corri lomba a baixo, até ficar estrategicamente longe da escola, e comecei a andar lentamente, sem rumo, afinal, eram apenas 10h e 30 min. Caminhei até um parque perto da minha casa, no qual eu encontrava meus amigos todos os domingos, me sentei em um banco e acendi um cigarro. Fiquei ali, por umas 3 horas, até que a porra do meu celular tocou.
“We need a doctor, a fucking doctor.” (This Song Is About Being Attacked By Monsters - Leathermounth)
Era a minha mãe.
- Oi. – eu atendi, com desanimação.
- Carolina, onde você está? Me ligaram do colégio agora, e você foi suspensa né? Que horror, você quer matar aquele menino? Aonde você vai parar Carolina, que absurdo… – ela dizia, com um tom de preocupação fingida.
- Ta bom, mãe… Mais alguma coisa?
- Sim, Carolina. Onde você está?
- Por aí… E daqui a pouco estou indo pra casa, tchau.
- Por aí? Bom, não demore. – terminou com um suspiro de desaprovação, e, logo após, desligou o telefone.
Bom, dane-se ela. Eu a minha mãe não nos falávamos muito, só quando necessário ou quando ela resolvia fingir que se preocupava comigo, fingir ser mãe. Mesmo em casa, nós não tínhamos muito contato, eu sempre prefiro ficar no meu quarto, sozinha, ouvindo minhas músicas, das quais ela reclama, ficar no meu computador, falando com os meus, supostos, amigos, no fake. Sim, fake, um perfil falso que você faz, com nome de outra pessoa, fotos de outra pessoa, e fala com outras pessoas assim, que fazem à mesma coisa que você. Sem vida, eu sei. Pessoas rejeitadas da sociedade, eu sei. Mas lá, pelo menos, as pessoas, que não sabem que eu realmente sou, gostam de mim. Ou dizem isso, pelo menos.